terça-feira, 31 de maio de 2011

Concepções de Memória

                 As obras memorialistas têm o objetivo de descrever e apresentar fatos que fazem parte das lembranças de um determinado indivíduo. Essas lembranças, naturalmente, não seguirão uma ordem cronológica e não terão uma dimensão realista. Se considerarmos como exemplo um trauma de infância, o protagonista desse acontecimento acredita que o período de duração desse fato foi muito grande, mesmo que só tenha ocorrido em segundos. As memórias também têm a característica de mostrar apenas o ponto de vista da pessoa que está descrevendo o fato. Além disso, nos textos que se colocam lembranças pode-se criar, exaltar e exagerar situações, organizando o que se quer dizer e como se quer dizer.
                 Na literatura, as obras de cárater memorialista são fundamentais para a persuasão  dos  leitores e para criação de certos efeitos no texto. A novela O bom ladrão de Fernando Sabino e o romance Dom Casmurro de Machado de Assis, confirmam o poder das memórias porque o narrador- personagem conduz quem lê a acreditar no seu ponto de vista. Isso ocorre pelo fato das situações  que  são apresentadas se construírem  na confirmação do é sentido e apontado por esse narrador. O memorialismo e a presença de um narrador personagem fazem os textos construídos a partir de lembranças ganharem um "ar de mistério" por apresentarem uma visão parcial dos fatos. A construção de textos memorialistas se faz a partir de algum sentimento importante para quem escreve as lembranças, ou seja, algo no presente faz com que se tenha vontade de descrever um fato que já passou. Abaixo estão as primeiras estrofes do poema Meus oito anos  de Casimiro de Abreu, em que se nota a importância para o eu-lírico em relembrar a infância,  e  o começo da novela O bom ladrão, em que o narrador expõe de onde surgiu a motivação para contar sua história:

Meus oito anos
                     
Oh que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais

Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras,
A sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais.
 [...]

"Ultimamente ando de novo intrigado com  o enigma de Capitu. Teria ela traído mesmo o marido, ou tudo não passou de imaginação dele, como narrador? Reli mais uma vez o romance e não cheguei a nenhuma conclusão. Um mistério que o autor deixou para a posteridade. O que me faz pensar no meu próprio caso. Guardadas as proporções - pois não se trata de nenhuma traição de Isabel - , o que foi que houve realmente entre nós dois? Onde estaria  a  verdade?"

            Livro O bom ladrão, Fernando Sabino. Editora Ática, 1996. Página 9

Postado por: Thayana Maria Navarro Ribeiro de Lima             

Lost Things!

     O vídeo acima é feito em Stop Motion, com a participação de A Fine Frenzy, uma cantora norte-americana de rock alternativo. Essa animação foi inspirada em Alice no País das maravilhas e foi dirigida por  Angela Kohler.


Postado por: Rebeca Miranda


P.s.: A minha internet estava fora do ar, por isso esta postagem não pode ser efetuada ontem.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Meus Oito Anos

Oh que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais

Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras,
A sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais.

Como são belos os dias
Do despontar da existência
Respira a alma inocência,
Como perfume a flor;

O mar é lago sereno,
O céu um manto azulado,
O mundo um sonho dourado,
A vida um hino de amor !

Que auroras, que sol, que vida
Que noites de melodia,
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar

O céu bordado de estrelas,
A terra de aromas cheia,
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar !
[...]  
Casimiro de Abreu

Por: Maria Luíza Alves de Medeiros

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Gonçalves Dias

Sei que todos já leram esse texto porque está no nosso livro de literatura mas gostaria de coloca-lo para discutirmos e analisarmos melhor. 

Gonçalves Dias: um projeto de cultura brasileira

               "Filho de um português e de uma cafusa, Gonçalves Dias (1823-1864) fez seus primeiros estudos no Maranhão, seu estado natal, e completou-se em Coimbra, onde cursou direito. De volta ao Brasil, em 1845, trouxe em sua bagagem boa parte de seus escritores. Fixou-se no Rio de Janeiro e ali publicou sua primeira obra, Primeiros cantos (1846), seguida por outras publicações, como Segundas cantos e Sextilhas de Frei Antão (1848), Ultimos cantos e os timbiras (1857). Fez várias viagens pelo país, incluindo a Amazônia, e chegou a escrever um Dicionário da língua tupi.
                Gonçalves Dias, buscando captar a sensibilidade e os sentimentos do nosso povo, criou uma poesia voltada para o Índio e para a natureza brasileira, expressa numa linguagem simples e acessível. Seus versos, tais como os de sua “Canção do exílio”, são melódicos e exploram métricas e ritmos variados. Cultivou também poemas religiosos, de fundo panteísta, que falam da manifestação de Deus na natureza
                 Sua obra poética inclui os gêneros lírico e épico."

Postado por: Sílvia Claudino Martins Gomes

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Dica de Filme: Maria Antonieta



Nome Original: Marie Antoinette
Ano de Lançamento: 2006
Direção: Sofia Coppola
Elenco: Kirsten Dunst, Jason Schwartzman, Steve Coogan, Judy Davis.
Roteiro: Sofia Coppola
Produção: Sofia Coppola e Ross Ratz
Trilha Sonora: Jean-Benoît Dunckel e Nicolas Godin
Fotografia: Lande Acord
Direção de Arte: Anne Seibel
Figurino: Milena Canonero
Distribuidora: Columbia Pictures 
Gênero: Drama
Duração: 123 minutos
Sinopse: A princesa austríaca Maria Antonieta (Kirsten Dunst) é enviada ainda adolescente à França para se casar com o príncipe Luis XVI (Jason Schwartzman), como parte de um acordo entre os países. Na corte de Versalles ela é envolvida em rígidas regras de etiqueta, ferrenhas disputas familiares e fofocas insuportáveis, mundo em que nunca se sentiu confortável. Praticamente exilada, decide criar um universo à parte dentro daquela corte, no qual pode se divertir e aproveitar sua juventude. Só que, fora das paredes do palácio, a revolução não pode mais esperar para explodir.



A propósito, esse filme está ligado a Monarquias Nacionais (assunto da última prova de História).




Postado por: Mariana Cunha

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Os Sofrimentos do Jovem Werther - Goethe

Os Sofrimentos do Jovem Werther, de Goethe, marca o início do Romantismo na Europa. A narrativa é feita a partir de cartas de Werther ao seu amigo Wilheim, que relatam seu dia-a-dia com a sua chegada a um vilarejo alemão.
Em um baile organizado no vilarejo, Werther conhece a encantadora Charlotte, por quem perdidamente se apaixona e acaba criando uma forte amizade, porém não contava que sua amada estivesse noiva do inteligente Albert. Mesmo assim, ele passa a visitá-la  com freqüência e quando seu noivo regressa, Werther torna-se grande amigo dele.
Uma grande característica da 2° geração do Romantismo, passa a ser explícita nessa altura da narrativa: o crescente pessimismo que passa a assolar Werther, no qual ele se vê em uma situação difícil e sem a menor esperança do amor não correspondido pela amada.
Charlotte, já casada, se vê dividida entre o dever de esposa digna e fiel com Albert, e de grande amiga com Werther, por quem tinha uma profunda admiração e via como um irmão.
Os traços alegres da jovialidade de Werther já não existiam, a depressão lhe invade até que ele se torna um homem desprezível e sombrio, que vê o suicídio como sua única saída. Nas vésperas de Natal, ele faz uma visita a Charlotte que o recebe seriamente determinada a afastá-lo.
Werther, revoltado, escreve uma última carta, dessa vez destinada a Charlotte, aonde revelava o seu destino: o suicídio.

Características do Romantismo na Obra

 
Na obra autobiográfica de Goethe, as características do movimento Romântico são bastante explícitas. Lembrando que a obra pertence a 2° geração do Romantismo.

O Subjetivismo:

“Tenho tanto!. E o sentimento que tenho por ela devora tudo. Tenho tanta coisa, mas sem ela tudo para mim é como se não existisse.” (27 de Outubro de 1772, à tarde)

A Idealização da Mulher:

“Jamais ousarei dar um beijo em seus lábios, onde pairam os espíritos do céu!” (24 de Novembro de 1772)

A Natureza interagindo com o Eu Lírico:  


“E desde então, o sol, a lua e as estrelas podem continuar a brilhar, porém eu mais não sei quando é dia e quando é noite; o universo inteiro não mais existe para mim”. (19 de Junho)

Quem possuir interesse em ler a obra, eu a encontrei apenas disponível para download: Os Sofrimentos do Jovem Werther.

Postado por: Laís Costa Guerra

terça-feira, 24 de maio de 2011

A personagem feminina no Romantismo

               Como já tratado em outras postagens, o Romantismo foi constituído por obras que retratavam o subjetivismo, tendo como um dos assuntos mais frequentes a mulher. No primeiro momento do romântico, a figura feminina é vista como algo distante, idealizado e até mesmo elevado à perfeição. Isso se confirma através desta poesia indicada por Guilianne de autoria de Gonçalves Dias :

Ainda uma vez, adeus (Fragmento)


Enfim te vejo! - enfim posso,
Curvado a teus pés, dizer-te,
Que não cessei de querer-te,
Pesar de quanto sofri.
Muito penei! Cruas ânsias,
Dos teus olhos afastado,
Houveram-me acabrunhado
A não lembrar-me de ti!
                      II
Dum mundo a outro impelido,
Derramei os meus lamentos
Nas surdas asas dos ventos,
Do mar na crespa cerviz!
Baldão, ludíbrio da sorte
Em terra estranha, entre gente,
Que alheios males não sente,
Nem se condói do infeliz!
                      III
Louco, aflito, a saciar-me
D'agravar minha ferida,
Tomou-me tédio da vida,
Passos da morte senti;
Mas quase no passo extremo,
No último arcar da esperança,
Tu me vieste à lembrança:
Quis viver mais e vivi!

[...]
                
                 Nota-se nessa poesia que a mulher é retrada como algo que foi distanciado do eu-lírico e que ela está em um grau de elevação, visto principalmente no uso do termo "Curvado aos teus pés". Posteriormente, o Romantismo adquire um estilo mais maduro em relação a visão da mulher. Atitudes ingênuas e idealizações são esquecidas e a figura feminina participa ativamente da experiência amorosa. A mulher passa a ser retratada de maneira sensual e é visível que a mesma sabe  da sua sensualidade, uma vez que em diversos momentos ela a usa como forma de conquista do amado. A representação da mulher mudou conforme a essência romântica mudou. Isso ocorreu porque as gerações de escritores românticos passaram a se aproximar da realidade cada vez mais. Seguem fragmentos de uma poesia de Castro Alves,  em  que a mulher é descrita como um ser corporificado e que usa sua sensualidade:

Boa-noite
 
Boa noite, Maria! Eu vou-me embora.
A lua nas janelas bate em cheio...
Boa noite, Maria! É tarde... é tarde...
Não me apertes assim contra teu seio.

Boa noite!... E tu dizes – Boa noite.
Mas não digas assim por entre beijos...
Mas não me digas descobrindo o peito,
– Mar de amor onde vagam meus desejos.

Julieta do céu! Ouve.. a calhandra
já rumoreja o canto da matina.
Tu dizes que eu menti?... pois foi mentira...
...Quem cantou foi teu hálito, divina!

Se a estrela-d'alva os derradeiros raios
Derrama nos jardins do Capuleto,
Eu direi, me esquecendo d'alvorada:

"É noite ainda em teu cabelo preto..."
É noite ainda! Brilha na cambraia
– Desmanchado o roupão, a espádua nua –
o globo de teu peito entre os arminhos
Como entre as névoas se balouça a lua...
[...]


Abaixo estão os links para quem quiser ler  as poesias completas, respectivamente:

http://cseabra.utopia.com.br/poesia/poesias/0107.html

Fonte: Livro Português Linguagens, William Roberto Cereja e Tereza Cochar Magalhães - Ensino Médio. Páginas 229 a 235 

Postado por: Thayana Maria Navarro Ribeiro de Lima


P.S. Espero ter atendido bem a solicitação de Raquel e de Guilianne. Quem quiser sugerir algum tema para postagem pode pedir.